Metodologia.
O que é medido
Este levantamento regista opinion makers - comentadores, analistas e colunistas com presença regular em TV, imprensa ou rádio portuguesas. Entram na base de dados pessoas que tenham publicado ou intervindo no espaço mediático pelo menos 3 vezes nos últimos seis meses. Antes de qualquer score, o que importa é a contagem simples: quantos são homens e quantas são mulheres. É essa imparidade absoluta - quem tem voz e quem não tem - que este projecto quer mostrar.
O score de exposição é secundário. Serve só para dar noção de intensidade dentro desse desequilíbrio. Falar uma vez por mês não é o mesmo que falar duas vezes por semana; comentar ao domingo à noite, em horário nobre, não é o mesmo que comentar a meio da tarde de uma quarta-feira. Captar essa diferença sem reduzir tudo a uma contagem de presenças obrigou a decisões de peso e hierarquia, que são, de longe, o ponto mais discutível desta metodologia. O score ajuda a perceber gradação. Não substitui a contagem de homens e mulheres, que continua a ser o dado central.
Como o score é calculado
Para cada meio em que a pessoa aparece, multiplicam-se três fatores: o peso do canal (TV generalista=11, TV de cabo=10, imprensa=6, rádio=3, refletindo audiência e alcance aproximados), o peso do horário quando aplicável a TV (primetime=5, horário nobre noite=3, horário nobre tarde=2, com bónus de +5 se o programa for de domingo), e o multiplicador de frequência (de diária=5 a pontual=0.25). As três componentes - TV, imprensa, rádio - somam-se e o resultado é reescalado para um intervalo de 0 a 20.
O valor 20 é um tecto teórico. Ninguém o atinge na prática: corresponderia a alguém presente em simultâneo na TV generalista, em primetime de domingo, todos os dias, mais na imprensa todos os dias e na rádio todos os dias. O score mais alto do levantamento é 11,19 - pouco mais de metade desse tecto. Os scores reais ficam concentrados na zona baixa da escala porque a exposição máxima simultânea nos três meios, todos os dias, é um cenário extremo que praticamente não existe.
A fórmula é uma simplificação deliberada. Não distingue um comentador com 2 minutos de intervenção de outro com 20 no mesmo programa, nem capta a audiência real de cada slot fora das categorias genéricas usadas aqui. É uma proxy estrutural, não uma medição direta de audiência ou impacto, e deve ser lida assim: indicador de intensidade relativa, não verdade absoluta.
Como os dados são recolhidos
Os dados são curados manualmente, com base em observação direta e contínua da grelha dos principais canais de TV, jornais e rádios portugueses. Não existe uma fonte pública estruturada - uma API, um registo da ERC - que liste comentadores fixos por programa. Esta base de dados nasceu de visionamento, leitura e registo manual, o que traz três limitações:
- Cobertura incompleta. Cobrem-se os canais e órgãos com maior audiência, não todos os que existem em Portugal. Comentadores presentes em órgãos regionais, locais, ou plataformas digitais mais pequenas não são contemplados.
- Desfasamento temporal. As grelhas mudam - contratos terminam, programas são cancelados, entram novos painelistas. Os dados refletem um retrato aproximado de um período recente, não uma fotografia em tempo real.
- Erro humano. Classificar horário, frequência e canal de centenas de pessoas é um processo sujeito a erro de registo, de memória, ou de interpretação dos critérios.
O que não tentamos resolver
Há decisões de classificação que são inevitavelmente discricionárias e que assumimos sem rodeios:
- A fronteira entre "comentador fixo" e "convidado frequente" nem sempre é nítida. Usou-se o critério de presença recorrente e identificável, não um contrato formal que não temos como verificar.
- Os géneros foram atribuídos com base na apresentação pública conhecida de cada pessoa, sem contacto direto para confirmação em todos os casos.
- Programas de género híbrido - entrevista, humor, talk-show - foram classificados pela componente dominante de comentário de atualidade. Por exemplo, humor e entretenimento foram separados da categoria de telejornal/primetime de opinião política, para não distorcer análises sobre comentário noticioso.
Porque publicamos isto mesmo assim
Nenhum levantamento deste tipo é perfeito, nem este nem qualquer alternativa que dependa de observação humana em vez de dados que as próprias estações não publicam. Mesmo assim, um retrato aproximado e honesto sobre os seus próprios limites é mais útil do que nenhum retrato. A assimetria de género que estes dados revelam é demasiado grande para se explicar por margem de erro de classificação.
Esta base de dados está aberta a correções. Encontrou um erro, uma omissão, ou alguém que devia estar aqui e não está? Agradecemos o contacto - ver caixa abaixo.
Este projecto só é possível graças à AI. Desenvolvido em conjunto com Claude.